sexta-feira, 18 de julho de 2014

Mecânica, como funciona o freio ABS?


Freio ABS, você sabe o que é? ABS é uma sigla para a expressão alemã Antiblockier-Bremssystem, embora mais frequentemente traduzido para o inglês Anti-lock Braking System, ou Sistema Antitravamento dos Freios. A partir deste ano todos os carros são obrigados a saírem de fabrica com este sistema, infelizmente nossos parlamentares não estão nem aí para a segurança do motociclista, o que eles queriam mesmo é que as motos deixassem de ser fabricadas. Mas vamos lá, o ABS contribui bastante para evitar acidentes, pois como evita que as rodas travem, ele permite que haja um controle total, diminuindo o espaço de frenagem e evitando a perda de controle por derrapagem das rodas. Mas como funciona isso?

Em um veículo equipado com o sistema ABS, a unidade de controle do ABS (ECU) avalia constantemente a velocidade de todas as rodas. Os sensores de velocidade monitoram continuamente o seu movimento verificando se irão ou não travar e, se necessário, o ABS intervirá em questão de milissegundos, modulando a pressão de frenagem em cada roda individualmente, impedindo que elas travem.

Antes de entrarmos em detalhes, vamos explicar rapidamente como funciona o sistema de freio hidráulico: o sistema de freio hidráulico consiste, essencialmente, de um cilindro mestre com seu reservatório de fluido, do cilindro de freio da roda, de tubulações e do fluido de freio. Seu funcionamento baseia-se no Princípio de Pascal – “a pressão exercida sobre um líquido contido dentro de um recipiente fechado se propaga neste líquido em todas as direções, de modo uniforme”. Ao acionarmos o pedal ou alavanca no guidão, um pistão é empurrado, que por sua vez envia o fluido pelas mangueiras até a pinça na roda, onde o fluido desloca o pistão auxiliar que comprime as pastilhas contra o disco de freio, parando a motocicleta.



Em uma moto com freios hidráulicos comuns, os cilindros mestres de freio dianteiro e traseiro ficam ligados diretamente as pinças de freio, nas motos com ABS, no meio desse caminho está a ECU e a unidade hidráulica do ABS, que hoje em dia são uma peça só. A ECU recebe sinais dos sensores nas rodas que indicam se elas estão perto de travar, e então envia comandos para a unidade hidráulica que regula a pressão em cada um dos cilindros de freio da roda por meio de válvulas solenoides. A ECU assume todas as tarefas elétricas e eletrônicas e também as funções de controle do sistema, e já existem motos em que o acionamento do freio pelo piloto não é mais hidráulico, a alavanca de freio e pedal possuem sensores que medem a intensidade da força que o piloto aplicou no freio, e com isso acionam a unidade hidráulica fazendo o freio atuar, mas isso é assunto para outro post.



Apesar do sistema ser muito eficiente, é preciso saber o usar o freio ABS. A principal diferença é que, com ABS, o pedal e alavanca do freio devem ser acionados até o fim, e é preciso mantê-los acionados durante todo o percurso da frenagem. A maioria das pessoas tende a "aliviar" no meio do caminho, pois imagina que as rodas vão travar - o que aconteceria com freios comuns, mas esse risco não existe no ABS. E é necessário utilizar os dois freios, não apenas o traseiro, como muitas pessoas fazem por medo de travar o dianteiro.

No Brasil, quase 90% das motocicletas produzidas atualmente são menores do que 250 cilindradas, e nenhuma delas tem a opção de ABS como opcional. Segundo dados do Centro de Experimentação e Segurança Viaria (Cesvi), apenas 23% das motocicletas vendidas no Brasil têm o sistema.

Na União Européia a legislação prevê a obrigatoriedade do sistema como um equipamento de série a partir de 2016. A decisão veio após a publicação de estudo, conduzido pela Comissão Europeia, apontando que, nos próximos dez anos, mais de 5.000 vidas podem ser salvas caso o ABS torne-se obrigatório.

Há quem diga que o ABS não ajuda muito, que o que deveria acontecer é que as pessoas sejam devidamente treinadas, porém sabemos que isso é difícil, e inclusive muitos motociclistas, que deveriam ser os primeiros a estarem interessados em sua segurança, não dão a minima para realizar cursos e treinamentos. Sendo assim, creio que o ABS venha realmente colaborar para a diminuição do número de acidentes.

Texto: Demetrius Sanguinete