sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Expedição Recife - Buenos Aires. 1º parte.


Assim como muita gente que anda de moto, eu também tinha o sonho de fazer aquela grande viagem, e por ocasião de uma viagem a Buenos Aires na Argentina, decidi que era para lá que eu iria de novo, só que de moto! Pois bem, depois de 4 anos a aventura saiu da imaginação, foi para o papel e enfim virou realidade. Meu companheiro de viagem seria meu amigo Leo do Araras MC, assim, planejamos juntos durante um ano todos os pormenores da viagem. Mas, por ocasião do destino, acabei indo sozinho, e agora deixo aqui o relato como fonte de informações para ajudar aqueles que pretendem fazer o mesmo tipo de aventura.

A moto escolhida para a viagem foi uma Fazer 250 ano 2014. A opção se deu pelo bom rendimento em velocidade de cruzeiro de 110 à 120km/h. Nestas velocidades ela tem um consumo que varia entre 28 e 30km/L, o que me garantiu uma boa economia neste aspecto. Além do mais, ela possui pneus sem câmara, muito importante numa viagem longa, pois em caso de furos eu poderia rodar tranquilamente até o próximo borracheiro. Além destas qualidades, ela tem um custo bem acessível.

Um detalhe importante é sobre o nome da Expedição, Recife - Buenos Aires, como vocês irão conferir no relato, infelizmente não foi dessa vez que eu fui de moto até o país dos nossos hermanos, contudo, para manter a identidade do projeto manterei o nome e a arte do adesivo. Caso você veja esta arte em algum restaurante ou posto de gasolina, então é porque eu passei por ali. Infelizmente, por ir sozinho, também não foi possível tirar muitas fotos, às vezes principalmente pelo tempo apertado para chegar no destino, outras pela quantidade de ultrapassagens que teria de fazer de novo, e também por conta do frio e chuva que me impediram de sacar a câmera em diversas ocasiões. Mas marinheiro de primeira viagem é assim mesmo. Vamos lá!

1º dia, Recife/PE - Feira de Santana/BA: e chegou o dia da viagem, estava combinado que sairíamos as 4 da manhã, como não teria mais a companhia de meu amigo Leo, e tudo tinha sido planejado a dois, fiquei por uma hora decidindo se iria ou não, pois não é fácil pegar a estrada sabendo que iria passar vinte dias longe, e se desse algo errado eu estaria a dias de casa. Acabei saindo com a ideia de chegar pelo menos até a Bahia, pois se eu quisesse desistir eu estaria apenas a um dia de viagem e teria pelo menos tentado. Neste dia não temos muitas fotos, pois como eu teria pela frente uma jornada de 800 km, 12 h em cima de uma moto, acabei tenso e com medo, e não parei para tirar fotos porque tinha receio de chegar após o por do sol em terras desconhecidas. Ao sair, senti que estava esquecendo algo, parei e puxei a carteira, incrível, separei tudo e esqueci o documento da moto, dei meia volta para pegar o documento e 20 min depois já estava na BR101.

E assim eu pus o pé na estrada, segui pela BR 101 e fui em direção a Feira de Santana - BA, onde encontraria o meu amigo Marcus. Pilotei de 5 da manhã as 5 da tarde, com paradas apenas para reabastecimento, tomar água e estirar as pernas, nada mais demorado que 10 min, esta foi a maior perna da viagem. Neste primeiro dia eu tinha duas opções de caminho, BR-232 até São Caetano, Garanhuns, Paulo Afonso e então BR-116, ou, seguir pela BR-101 até próximo de Feira de Santana, e então pegar um trecho da BR 324, que foi o que eu fiz e me arrependi. Logo no inicio em Pernambuco fui enganado com uma BR duplicada e boa, já chegando próximo da fronteira AL/PE a BR praticamente some, só há buracos e terra, e daí em frente alguns caminhões complicam sua vida também. Chegando em SE encontrei alguns trechos duplicados e aproveitei para tirar o atraso.

A atração do dia foi a ponte de Ferro em Propiá, onde temos que ter cuidado com a ferrovia que cruza a rodovia e segue pela ponte, muitos motociclistas desatentos já se complicaram nesse trecho.


Normalmente quem sai de Recife em direção ao Sul, segue direto até uma cidade a 130 km de distância de Feira de Santana chamada Milagres, lá é possível encontrar hospedagem com bons preços, porém isso implica em uma tirada de 950 km no mesmo dia, tem que estar bem preparado fisicamente. Como eu teria um ponto de apoio em Feira de Santana, foi por lá que fiquei. Ao chegar, descubro que era dia de Micareta, maravilha, moto pesada, 3 baús e muito trânsito, mas o GPS me indicou o caminho e não me meteu em enrascada. E até que enfim eu conheci pessoalmente o primeiro amigo da viagem, Marcus Dellacruz. Como eu cheguei em uma quinta feira, ainda pude aproveitar o fim de noite no encontro de motociclistas, onde compartilhamos algumas histórias.

2º dia, Feira de Santana/BA - Águas Vermelhas/MG: superado o medo do primeiro dia, sobrou o cansaço. Acordei, tomei café e tive aquela conversa com o Marcus que disse que se eu desistisse deveria aproveitar e voltar pelo litoral para conhecer as praias da Bahia, e que quem sabe poderia até me acompanhar. Após pensar, vi que o passo inicial já tinha sido dado, e o que mais me fez seguir em frente foi lembrar que haviam pessoas me esperando por todo o Sudeste e Sul do Brasil, e que inclusive tinham mudado sua agenda de trabalho só para me receber, portanto não poderia decepcioná-los. Então coloquei a Branca de Neve na estrada e segui em frente. O Marcus me acompanhou por alguns quilômetros, porém como a BR116 não está totalmente duplicada e o trânsito de caminhões nela é muito pesado, nos separamos logo. Daí em frente só o que eu via eram caminhões, filas de dez ou mais, e foi por conta deles que acabei tirando poucas fotos também, pois parar por 1 min significava mais de 10 caminhões que eu teria que passar novamente. E assim deixei para trás toda a bela paisagem do Sul da Bahia. Em contraste com a paisagem, a rodovia deixou a desejar, só havia 15 km de duplicação, quase que inexistem terceiras faixas para caminhões, muitos pare e siga, e gastei R$ 7,50 em pedágios. Sem levar em conta a extensão, este foi o trecho mais caro da viagem.


Ao me aproximar da fronteira com Minas Gerais, avistei a alguns km de distância o que parecia ser chuva, parei, vesti a calça de chuva, troquei as luvas, guardei o GPS e pensei que seria apenas um chuvisco. Ao prosseguir entrei em uma tempestade com direito a raios e trovões, em alguns pontos a pista estava tão alagada que acabei tendo uma leve aquaplanagem da roda traseira, como não era nem um pouco seguro continuar rodando nestas condições em meio a tantos caminhões, decidi que deveria parar, mas onde?? Não havia nada por perto, o sol já estava se pondo e visibilidade era tão ruim que não dava sequer para ver o que havia na beira da estrada. Após alguns poucos quilômetros avistei o Posto Fiscal de MG, só que ele ficava do outro lado da pista, e como a  visibilidade estava péssima, o jeito foi esperar um caminhão fazer a travessia e usá-lo como escudo. Fiquei quase 1h neste posto esperando a chuva diminuir ou parar, todo molhado por sinal, pois é nesta hora que você descobre que equipamento impermeável não existe. Por volta das 18:30 a chuva deu uma trégua e eu precisava seguir viagem para poder encontrar um lugar para dormir. A cidade mais próxima que eu sabia era Medina, que estava a uns 70 km dali. Ao sair, notei uma fumaça na estrada, rapidamente a fumaça cobriu tudo, era neblina, nunca tinha pilotado numa situação desta antes. Na minha frente havia uma van, e eu precisava de alguém para me cobrir dando segurança e também como guia, o jeito foi segui-la, por sorte apareceu um posto de gasolina e todos pararam para pernoitar, era o Mega Posto Faisão II, que oferecia excelente suporte, com restaurante, mercadinho e pousada, acabou ficando lotado, ainda bem que consegui um quarto. Após me acomodar fui perguntar a respeito do clima da região, pois fiquei pensando que como eu deveria estar a pelo menos 70 km dali, se ao acordar esta neblina não tivesse dispersado, seria o fim da viagem, pois eu não poderia levar mais que quatro dias para chegar em SP, e segundo os funcionários do posto, a previsão não era das melhores.


3º dia, Água Vermelhas/MG - Belo Horizonte/MG: grata surpresa, as 6 da manhã a neblina tinha ido embora e o céu, apesar de um pouco nublado, estava em boas condições para seguir viagem. Tudo arrumado, corrente lubrificada, segui viagem rumo a Belo Horizonte, o percurso na BR 116 é bonito e com um bocado de curvas, ao contrário da Bahia, em MG a rodovia tem muitas terceiras faixas nas subidas, o que ajuda bastante. Como era sábado, não tive problemas em passar caminhões e nem fiquei preso atrás deles muito tempo. Parada em Teófilo Otoni para abastecer e descubro o que já sabia, nunca pare para abastecer nas cidades, o combustível é muito mais caro.


Tanques cheios, meu e da moto, segui até Governador Valadares onde peguei a BR-381, isso, a Fernão Dias, mas aqui ela é só BR-381 mesmo e não é duplicada, a partir deste ponto o tráfego de caminhões aumentou um pouco. Chegando em Ipatinga fiquei impressionado com o tamanho da cidade, imaginei-a muito menor, pena que só passei. Seguindo em frente, ao subir a serra em direção a Nova Era, ultrapassei duas Cgs 150 e imediatamente elas começaram a me seguir, eu estava pesado e não conhecia a rodovia, neste ponto pensei: é agora, perdi tudo, mas eles só queriam mostrar que subiam mais rápido que eu. Não era a primeira vez que via os moradores locais querendo mostrar que conhecem mais a curvas de sua cidade, ufa! Este trecho da BR381 entre Ipatinga e Nova Era é um trecho bastante sinuoso e perigoso, existem diversas pontes em curvas, muitos buracos e trânsito intenso, é preciso bastante atenção. Lá em cima  da serra em Nova Era eu parei em um posto de gasolina onde há uma bar e restaurante chamado Esperança, fui atendido pela Maria Aparecida e tive um atendimento excepcional, após tomar aquele cafezinho para combater o frio do fim de tarde, peguei umas dicas com alguns caminhoneiros de ir pela MG-120 e não pela BR-381. Ao seguir, um pouco mais a frente peguei a direita para a MG-120, belíssima estrada, e ainda mais que eram 4:30h, o Sol já estava dando aquela coloração amarelada e tudo estava ainda mais bonito. Curvas e mais curvas e finalmente volto para a BR-381 e chego em BH com muito frio, quer dizer, nem tanto, pois eu não sabia o que me esperava nos próximos dias. Aliás, uma coisa interessante para quem roda no Nordeste, é que aqui é muito incômodo ultrapassar ou ficar ao lado de um caminhão por causa do calor do motor, já no Sudeste e Sul, toda vez que eu passava um caminhão era um alívio, se desse eu ficaria ali do lado só curtindo o calorzinho do motor e aliviando o bater dos dentes.

Confira a segunda parte aqui.

E não deixem de assistir o filme da viagem no Youtube:

Um comentário:

  1. Com certeza meu nobre amigo, foi a viagem de sua vida, e com certeza foi a primeira de muitas e estaremos juntos na próxima. Estais de parabéns pelo feito. O a nova roupagem do Blog está show de bola, PARABÉNS!!!!

    ResponderExcluir