segunda-feira, 16 de março de 2015

Viagens longas de moto. Parte 1, planejamento.

Grandes amigos, vou iniciar aqui uma série de artigos sobre viagens longas. A ideia é fazer um guia com informações importantes para todos que gostam de viajar com suas motos. Vou basear os artigos em minha experiência, portanto, ele não será uma verdade absoluta, o que foi bom para mim não necessariamente será para você. No entanto as dicas que passarei irão compor uma base para quem está planejando sua primeira viagem.

Dividirei da seguinte forma: parte 1, planejamento e roteiro; parte 2, bagagens; parte 3, manutenção da moto; parte 4, custo financeiro.

Primeira parte: planejamento e roteiro.

Quando um motociclista amadurece, ele começa a sentir a necessidade de algo maior, aquelas simples viagens dentro do seu estado já não fornecem aquele estimulo e adrenalina que precisamos. Acho que pilotar é como uma droga, quanto mais pilotamos, mais queremos pilotar, e cada vez para mais longe!

Entretanto, ir longe não é como ir ali no interior, pois para isto basta ligar a moto cedinho e partir. É necessário planejamento para que não tenhamos surpresas não previstas pelo caminho e voltemos frustrados, acabando com nosso sonho. Sem planejamento você pode até ir longe e dar tudo certo, porém podemos fazer uma analogia com a Bolsa de Valores, se você não souber o que está fazendo, você pode até ganhar dinheiro e se dar bem em um golpe de sorte, mas quando a adversidade bater de frente, você pode ir à falência.

Uma viagem é basicamente um Projeto, com início, meio e fim. E para ajudar com o planejamento deste projeto é interessante que se organize as ideias em arquivos e planilhas. Utilizando planilhas do Excel ou software similar, podemos facilmente traçar o trajeto dia a dia, assim como listar nossa bagagem por categoria, como os itens pessoais, ferramentas, alimentos, remédios, etc.  Ao longo dos artigos vou colocando alguns modelos para download, sempre no fim do artigo.

Para onde quero ir.

O primeiro passo é saber aonde queremos ir e definirmos a data, afinal não vai ser uma boa ideia tentar chegar ao extremos sul das Américas em pleno inverno de Julho. Ou tentar passar pelas cheias dos rios da região Norte em épocas de chuva como em Fevereiro.

Feito o primeiro passo, escolhemos os lugares que queremos visitar no caminho, e a partir dai então traçamos a rota.

Hoje em dia fazer isso está mais simples, graças ao Google podemos facilmente traçar qualquer roteiro para qualquer canto do mundo de forma que ele nos diz o melhor traçado, nos diz se o caminho tem balsas, buracos e se a estrada é de terra ou asfalto. Imagino como era planejar algo assim na década de 80 sem a ajuda de GPS e internet. Os que ousavam realizar tal façanha, estes sim eram heróis!

É sempre bom contar com a experiência de alguém que conhece a região onde pretendemos passar, com esta ajuda evitamos pontos perigosos e com trânsito lento. Para isso podemos utilizar os fóruns de internet voltados para motociclistas ou para viagens como o Mochileiros. No momento que escrevo este artigo, meu fórum mais visitado e o do Fazer Online.


Conhecer os limites.

Com a rota traçada, é hora de fazer os cálculos de distância e estabelecer os pontos de parada. Mas para isso é interessante conhecer os seus limites. Em minha viagem ao Uruguai, eu rodei em média 650 km por dia, com dias em que eu cheguei a 850 km percorridos. Antes da viagem li muitos artigos a respeito, algumas pessoas me recomendaram diminuir essa tocada pois eu não aguentaria, e que após o terceiro dia meu ritmo iria cair, e blá blá blá blá...

Pois bem, como eu disse, é necessário conhecer os seus limites. Por três meses eu fiz um preparo físico intenso, assim como fiz uma viagem teste para saber se aguentaria 600 km seguidos com paradas de 10 min. Foi dessa forma que eu pude concluir que mesmo que não fosse fácil, ou seria assim, ou eu iria ficar em casa, pois só dispunha de 20 dias para a viagem!

Todavia, somente os seus limites não são suficientes, é necessário conhecer os limites das rodovias. Em rodovias de faixa simples a velocidade média é muito menor por causa do tráfego de veículos mais lentos, fato que pode tornar a viagem mais perigosa devido ao grande número de ultrapassagens. A BR-116, rota obrigatória para quem quer chegar mais rápido no Sul do Brasil, tem trafego intenso de caminhões. Nela cheguei a ver filas que só acabavam no horizonte, consequentemente, não espere ser rápido nos dias em que estiver nos trechos não duplicados desta rodovia. O tempo também será maior caso haja muitas travessias de grandes cidades, por isso, se possível é interessante contorná-las. Como exemplo, ao chegarmos em SP, em vez de entramos na Grande São Paulo, saímos da Fernão Dias em Mairiporã e pegamos mais a frente o rodo anel, contornando toda a região metropolitana.

Ainda podemos considerar o limite da motocicleta. Motos de menor porte terão uma velocidade de cruzeiro mais baixa e menos conforto, com isso a quilometragem percorrida por dia poderá ser menor. Mas não considero algo tão importante quanto o preparo do piloto. Baixa cilindrada nunca será um impeditivo para uma viagem.


Onde dormir.

Usando o Google Maps podemos obter as distâncias entre cidades facilmente. Com estes dados, e baseado nos seus limites, trace onde deseja dormir para facilitar a procura por hospedagem. Caso prefira, você já pode procurar pelos hotéis nesta cidade, e assim, já vai direto sem perder tempo procurando. Dependendo do dia e da hora que você chegar, esta pode não ser uma das mais melhores tarefas caso o orçamento seja apertado. Eu conheço pessoas que não têm problemas em dormir acampando em postos de gasolina. Particularmente eu não acho a mais segura das ideias, mas fica aí a dica. Deixo aqui outra recomendação, nunca reserve hotéis, você não sabe se vai conseguir chegar naquele dia e naquela hora, e se a moto quebrar ou rasgar um pneu?

Agora que você já traçou seus objetivos e sua rota, no próximo artigo eu falo sobre o que levar na motoca.

Arquivos:

Abaixo segue o link para download da planilha para montar o roteiro. Ela é muito simples, é como eu sempre planejo minhas viagens. No campo trajeto eu coloco a cidade de partida e chegada naquele dia, então com a ajuda do Google eu insiro a distância que será percorrida neste trajeto. No campo total ele realiza a soma automática das distâncias, mostrando facilmente qual será o total da viagem.

Como vocês podem ver é um arquivo muito simples, e todos os outros também terão o mesmo estilo. A ideia é servir como base e mostrar que planejando tudo será mais fácil no decorrer do projeto.

Download da planilha de trajeto.


Texto: Demetrius Sanguinete