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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Moto Turismo no Peru, Cusco e Machu Pichu.

E finalmente estamos no Peru. Nossa estação Base foi Cusco, a cidade que já foi a capital do império Inca, sendo o mais importante centro administrativo do país. Ficamos hospedados no Hostal Casa Ananta, um hostel que possui quartos duplos com banheiro privativo e estacionamento com um preço bem legal. Como a moto iria ficar dias por lá, eu preferi um local mais protegido para ela.

Apesar do foco e atração principal no Peru ser Machu Pichu, a bela cidade de Cusco merece uma visita mais aprofundada. Sua arquitetura, história e gastronomia encantam todos que a visitam. É um dos destinos mais visitados no Peru, é praticamente a base de todos os turistas que visitam os sítios históricos dos Incas, assim está sempre recheada de turistas que a tornam uma cidade multicultural.

Cusco está situada a uma altitude de 3399 m, então o clima é bem ameno mesmo nos meses do verão, leve sempre uns agasalhos e algumas roupas para o frio, principalmente se for visitar no Inverno. Vez ou outra a chuva também aparece por lá, mais frequentemente nos meses quentes. Por causa da altitude e o clima muito seco, você acaba desidratando rapidamente pela respiração, pois como é frio você acaba não sentindo sede. Minha recomendação é que você ande sempre com uma garrafa de água e beba mesmo sem sentir sede, assim você não passa 2 dias com dor de cabeça e descobre que não era bem o mal da montanha, mas também desidratação. Outra dica q eu só soube depois que fosse tarde demais, não abuse da folha de coca, ela tem efeito laxante e pode causar taquicardia.

Assim que chegamos, deixamos a moto e nossas coisas e fomos caminhar pela parte histórica da cidade. Seguimos pela Av El Sol, que possui dois mercados de Artesanatos, um belo mural e o Antigo Templo Qoricancha. Depois seguimos para a Plaza de Armas, a principal praça da cidade que é rodeada de ótimos restaurantes, bares, agências de turismo e casas de câmbio, porém como já tínhamos informado aqui, pra quem vai de carro ou moto é melhor trocar na fronteira mesmo. A cidade é muito bem policiada e segura, o único incomodo é o horrível cheiro dos carros a Diesel de lá. Pra quem curte uma noitada, essa região da Praça também tem suas atrações, o Mama Africa é um dos mais recomendados no Trip Advisor


Na parte culinária, não deixe de provar o Pisco Sour, uma bebida típica feita com aguardente de uva e limão, bem semelhante a nossa caipirinha. Acompanhando um bife de Lhama com batatas, foi excelente. Outro prato tipico de lá é o Cuy, um porquinho da índia que é entregue inteiro no prato. Eu particularmente não gosto de comer animais em seu formato original e com todas as partes, prefiro já cortado em belos bifes.

Quando estiver pelas ruas e alguém te oferecer Choclo com queso, não faça como eu que não sabia o que era, pode pedir um, ou mais de um. Choclo é milho, mas um milho muito diferente com um grão gigante e muito gostoso. Devo ter comido mais de 10 ahahah. Por sinal, a variedade de milho no Peru é imensa, são mais de 55 variedades. E por fim, não podíamos deixar a provar o tão famoso Ceviche, mas se você não é muito chegado numa pimenta, vá com calma.

Vista da Plaza de Armas a partir de Sacsayhuamán

Turismo no Sítio Histórico

Aproveitando que estávamos de moto, seguimos no outro dia para as atrações no entorno da cidade, assim não precisávamos pagar pelos pacotes das empresas de turismo. Mas antes de seguir é necessários adquirir o Boleto turístico que dá direito a visitar 16 delas em Cusco e arredores, incluindo parques arqueológicos, museus e igrejas. Em algumas atrações não há venda de ingresso individual, portanto adquira o seu boleto antes. Você pode comprá-lo no escritório oficial Cosituc, que fica na Av. El Sol, 103, nas Galerias Turísticas. Mas também pode adquiri-lo em agências de turismo e até na recepção do seu hotel. Mais informações sobre o turismo no Peru você pode acessar aqui

O Boleto é dividido em 4 tipos, O geral que dá direito a visitar todas as atrações e custa 130 Soles, e é válido por 10 dias, e os Circuitos Paciais 1, 2 e 3, que dão direito a visitar apenas um conjunto de atrações, tem validade de 1 a 2 dias e custam 70 Soles cada um. Portanto, pelo preço e tempo de validade, optamos pelo boleto geral mesmo.

Perfeição nos encaixes das pedras em Sacsayhuamán


Nos arredores de cusco pegamos a moto e seguimos para Sacsayhuamán, Q’enqo, Puka Pukara e Tambomachay nessa ordem. O caminho é bem bonito ao por do Sol, e as ruínas são incríveis, com um alinhamento e encaixe perfeito das pedras. Como fomos de moto, pudemos explorar bem os locais, pois não tínhamos aquela pressa que toda agência de turismo tem para poder se livrar logo da gente e pegar mais turistas, em compensação não tivemos um guia. Eu recomendo muito que você contrate um guia em alguns locais como Sacsayhuamán, eles ficam aos montes oferecendo sempre seus serviços quando chegamos. Como eles têm muito a contar da história do local, o passeio fica muito mais interessante.

Tambomachay, os banhos Incas

Machu Pichu

Para ir a Machu Pichu optamos por manter nosso quarto no Hostel, assim deixaríamos toda nossa bagagem da moto e a própria moto em segurança, e na recepção contratamos o passeio com translado de Cusco até Ollantaytambo. Você pode contratar nas agências de turismo ou no seu hotel.

Caso queira um pouco mais de conforto, é bom procurar se informar como é o translado para Ollanta, pois nós fomos numa van um pouco apertada, e com um casal de franceses que não gostavam muito de perfume eheheh. De Ollanta para Águas Calientes seguimos no trem e ficamos hospedados por lá, tudo por U$250,00.

Trem para Águas Calientes


Águas Calientes é um pequeno vilarejo aos pés de Machu Pichu que se desenvolveu justo para hospedar os turistas que se destinam a cidade sagrada dos incas. É uma cidade bem pequena mas muito interessante. Porém, não espere uma super infraestrutura, é tudo muito simples.

Só há duas maneiras de chegar lá, por trem, ou por terra caminhando pela trilha Inca por 4 dias. Deve ser muito interessante, gostaria muito de fazer, mas meu físico de moto turista e tempo não permitem. Eu recomendo que você pernoite em Água Calientes, primeiro porque você sai para Machu Pichu no outro dia antes do sol nascer, evitando a horda de turistas que estão vindo de Cusco e outras cidades no mesmo dia e começam a chegar às 10:00h. Segundo que você pode conhecer um pouco da cidade, apesar que como dito, é bem pequena e um dia pode até ser muito. Existem algumas águas termais por lá, que são elas justamente que dão nome a cidade, mas infelizmente não pudemos conferir. Ah sim, nem pense em chegar aqui vindo de forma autônoma pra economizar e não ter comprado a entrada para Machu Pichu, elas são limitadas a 2500 por dia. Você pode perder sua viagem, tempo e dinheiro.

Águas Calientes

Após um noite de sono ao som das águas do Rio Urubamba, acordamos as 4 da manhã e seguimos para o ponto de encontro correndo com as ruas ainda no escuro e com medo de perder a partida.

Chegamos lá em cima com céu aberto, mas em pouco tempo as nuvens cobriram praticamente tudo. Aguardamos bastante até que às 10h da manhã Machu Pichu se revelou para todos nós. A cidade é incrível, uma sensação indescritível. Você pode passar horas e mais horas observando como o povo Inca conseguiu construir algo assim. Nosso guia ficou conosco quase 2 horas, depois disso nós estávamos liberados para andar por onde quiséssemos.

Como a cidade está a apenas 2400 m de altitude, 1000 m a menos que Cusco, você vai conseguir andar tranquilamente sem sofrer o mal da montanha por aqui. Vai cansar claro, são muitos degraus.



Como subimos cedo à Machu Pichu, optamos por descer ao meio dia e almoçar em Águas Calientes, então poderíamos pegar o primeiro trem de volta e estar em cusco por volta das 21h. Embora, se eu pudesse fazer de novo, passaria o dia em Machu Pichu e retornaria no trem à noite para Ollanta, e aí ou dormiria por lá, ou chegaria de madrugada em Cusco, mas vale a pena. Dizem que o por do Sol lá em cima é espetacular. Ainda que tenhamos visto muita coisa, eu preferiria ter ficado um pouco mais.


Tour do Vale Sagrado

O Vale sagrado é um passeio às ruínas do povo Inca que ficam fora de Cusco, é uma das maiores atrações do Peru depois de Machu Pichu. O passeio dura o dia todo e inclui Pisaq, Ollantaetambo(de novo) e Chinchero. No dia da visita à Machu Pichu nos passamos direto por Ollanta pois sabíamos que no tour do Vale Sagrado voltaríamos. Estes foram dias bem corridos, pois mais uma vez acordamos bem cedo.

Contratamos nosso tour em uma das agências que tem aos montes ao redor da Plaza de Armas. Como eu estava já precavido devido a van do dia anterior, perguntei como era o veiculo do passeio e seria um belo micro-ônibus com bastante espaço e ar condicionado. Ótimo! O passeio inclui visita à feiras de artesanato, guia e almoço em Urubamba.

Mais uma vez eu digo que não vale muito a pena fazer o passeio sem um guia experiente para nos acompanhar. Ver um monte de pedra e não saber suas historias é bem sem graça. Porém, nós paramos em mais de um feira e nos deixaram por lá entre 30 min e 1h perdendo tempo com artesanato que podemos encontrar em toda a região. É tanto que chegamos a Chinchero à noite, e fizemos visitas superficiais aos outros sítios, e este é um roteiro que todas as empresas seguem. Estar em um ônibus cheio de turistas vale a viagem pois você pode interagir e conversar com pessoas de diversos outros lugares, conhecemos muitos brasileiros por sinal. Mas fica a dica, e aí você escolhe se prefere interação, ou um passeio de moto mais demorado com pedras que não falam.

Pisac

Pisac possui vários edifícios e setores, dois túneis, ponte, depósitos, aquedutos, cemitério, templos e amplos terraços agrícolas, é um dos maiores e mais ricos complexos arqueológicos do Vale Sagrado.  Na cidade também existe uma feira de artesanato que atrai muitos turistas. Apesar de recomendarmos que você esteja sempre com guia, infelizmente os passeios turísticos mostram muito pouco de Pisac. Se um dia voltarmos ao Peru, retornaremos com menos pressa para lá.

Ollantaytambo

É a única cidade da era inca no Peru ainda habitada, aliás, nunca foi abandonada. Segundo informações que recebemos era uma cidade ainda em construção na época da invasão espanhola. Apesar de muita gente não dar muita atenção, Ollanta possui algumas histórias e construções bem interessantes, como por exemplo os silos de alimentos que ficavam numa posição estratégica, e que devido aos ventos e altitude mantinham os alimentos sempre bem conservados. Acredita-se que Ollanta era uma cidade de passagem entre Cusco e Machu Pichu.

Segundo nosso guia, as pedras acima do Templo Religioso foram trazidas das montanhas que estão à direita na foto, e que ficam na outra margem do rio Urubamba. Estima-se que elas pesem por volta de 80 toneladas, somente.

Chinchero

Nossa última parada do dia, e de toda a viagem ao magnífico Peru. Chinchero fica a 3770 m acima do nível do mar, mais alto que Cusco e Machu Pichu, ainda bem que visitamos no último dia quando já estávamos mais ambientados. Chegamos praticamente à noite, mas ainda foi possível ver uma apresentação sobre a produção têxtil dos incas e como se fazia, e ainda se faz, a coloração dos tecidos. 



Em Chinchero o povo ainda fala a linguá Quechua proveniente dos Incas.

Igreja construída em cima das ruínas Incas.
E assim nos despedimos desse país super interessante e cheio de histórias. O Peru é encantador e vale a pena até uma segunda visita algum dia. A partir daqui ainda restavam mais 10 dias de estrada até chegar em casa. Grande abraço.

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